Expresso

gotas de gente
percorrem meu corpo
como suor, mas não
refrescam.

memórias de diferentes
rostos e feições
disputam: foi felicidade
ou nervosismo?

um milhão de vezes analiso
e finalmente neutralizo
qualquer sinceridade

nunca esferas, quero
caixas retilíneas e
confiáveis que eu
possa empilhar
de mil maneiras confortáveis

nunca alma; quero
gente matematicamente
construída que me traga
a calma de um resultado
indubitavelmente correto

daí, dentro de mim,
construo essa casa
monocromática: da cor
do papelão que embala
cada operação básica
da vida até que
interpretá-las se torne
uma rotina automática

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