a pose,
o local de trabalho,
as redes de me-distraio,
o Mozart atrás dos ouvidos,
o zumbido depois
do baile. A ganja
e a injeção,
o gemido, a ternura.
Telas.
-
eu não desligo a televisão.
aqui fora tem corrupção, inflação, depressão, morte
mas eu ensurdeci meus olhos
para tudo que a tela-terra-chão
não dá.
só lá eu posso ver
morte,
corrupção, investimentos, desejo,
outras fábulas.
não nos salvou
Internet,
democracia, Facebook,
pirataria, Babadook.
a tela repassa e comprime,
compassa, e o
tempo-espaço vira
um feixe sem nada entre a novela
e o intervalo comercial.
só é verdade o que é amargo,
e eu prefiro gordura,
Nescau, pornografia e
literatura.
!
consumo na tela,
a tela cobra seu preço.
a tela despreza e
é na tela que a alma aparece.
é o fantasma da tela que
esquece. é a vida projetada na tela que deprime.
é o crime na tela que mata.
é a notícia da tela que decide quem pune. quem é punido.
o dinheiro na tela que manda.
o amor na tela é comunhão.
a tela com texto é que comunica.
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